Ao longo de minha trajetória como profissional independente, acompanhei de perto as mudanças que transformaram o universo dos freelancers. O que era visto, até pouco tempo, como uma alternativa pontual de renda, ganhou status de carreira com regras claras, direitos e deveres. O levantamento recente do IBGE aponta: mais de 1,7 milhão de pessoas atuam hoje por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços, correspondendo a 1,9% da força de trabalho no setor privado. Esse dado revela crescimento expressivo, 25,4% entre 2022 e 2024 (número de trabalhadores por aplicativos cresceu entre 2022 e 2024).
Vi muita gente começar na informalidade, apenas emitindo recibos, aceitando transferências de particulares e enfrentando as incertezas desse cenário. Aos poucos, no entanto, ficou cada vez mais claro como a regularização pode transformar a vida do profissional autônomo. Seja na segurança dos contratos, no acesso a novos clientes ou na renda: quem formaliza como Pessoa Jurídica (PJ), principalmente via CNPJ/MEI, destaca-se em renda, confiança e organização.
Entendendo o cenário atual dos autônomos
O Brasil vive uma transição importante no mercado de trabalho. As formas clássicas de contratação dividem espaço com o aumento da atuação autônoma, especialmente online.De acordo com pesquisa divulgada, em março de 2024, 25,4% dos trabalhadores autônomos tinham CNPJ; isso representa 6,46 milhões de pessoas (trabalhadores autônomos: quem são e o que pensam).
Mais do que números, percebo pelas minhas experiências que a formalização, além de tendência, tornou-se requisito para projetos de médio e grande porte. Quem atua sob CNPJ amplia sua rede de oportunidades, transmite profissionalismo e constrói autonomia com segurança trabalhista e fiscal.
Formalizar vai além do papel: é mudar o patamar do negócio independente.
Freelancer informal x PJ: qual a diferença?
Durante minhas conversas com outros profissionais independentes, identifiquei dúvidas recorrentes sobre a diferença entre atuar como freelancer informal e estruturando-se como PJ.
A informalidade
O informal depende apenas do CPF para negociar serviços. Recebe pagamentos por transferências diretas (PICPay, Pix, TED, DOC), raramente emite qualquer tipo de documento fiscal. Na prática, isso limita a contratação por empresas, que não conseguem comprovar despesas, e reduz também as chances de atuar em projetos maiores.
Vantagens e riscos da informalidade
- Pouca burocracia inicial
- Flexibilidade total
- Renda limitada, instável
- Dificuldade em acessar contratos com empresas
- Ausência de benefícios trabalhistas e previdenciários
- Risco fiscal e judicial em caso de denúncias ou contratos não cumpridos
O caminho PJ
Do outro lado, o freelancer PJ se formaliza ao abrir um CNPJ. Pode usar o modelo MEI, ME ou outra natureza jurídica conforme seu porte e necessidades. Ganha acesso a ferramentas para emitir Nota Fiscal, contar com documentação formal e negociar valores maiores. O PJ pode atuar em qualquer área permitida por sua CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas).
- Maior segurança jurídica
- Possibilidade de firmar contratos grandes e réguas de cobrança
- Acesso facilitado a bancos, créditos e benefícios
- Emissão de nota fiscal e comprovação de renda
- Aumento do valor percebido pelo mercado
- Possibilidade de atuar em plataformas e programas de aceleração
No meu ponto de vista, há uma mudança clara: a formalização não é mais diferencial, mas pressuposto para crescer e ganhar valor como autônomo. Pesquisas mostram ainda que entre os autônomos com CNPJ, 33% recebem acima de três salários-mínimos; entre os informais, só 9% conseguem isso. Ou seja, formalizar faz diferença real na renda e na projeção de carreira.

Passo a passo: como estruturar o negócio como PJ
Se você quer deixar a informalidade, mas não sabe por onde começar, aqui vai uma síntese de processos que eu mesmo segui e sempre recomendo.
1. Defina sua natureza jurídica
A maioria dos autônomos começa como MEI (Microempreendedor Individual), ideal para quem fatura até R$ 81 mil por ano e não possui sócios. Profissionais que prestam serviços intelectuais (publicidade, design, consultoria, redação, TI) precisam verificar se suas atividades se encaixam no MEI. Caso não seja possível, a opção passa a ser ME (Microempresa) ou EPP (Empresa de Pequeno Porte).
2. Faça a inscrição no CNPJ
O registro pode ser feito online, no portal do Governo Federal (portal do empreendedor do governo). Tenha em mãos RG, CPF, comprovante de residência e dados do local de trabalho. O processo, atualmente, é bem mais simples do que antigamente.
3. Escolha a CNAE adequada
A CNAE define atividades permitidas. Consulte a relação de códigos e certifique-se de que sua atividade principal está dentro das permitidas para MEI (se optar por esse regime). Para atividades intelectuais, muitas vezes é necessário abrir ME ou EPP, regimes que permitem faturamento e contratação de funcionários maiores.
4. Regularize na prefeitura e solicite a Inscrição Municipal
Toda empresa prestadora de serviços precisa de um cadastro na prefeitura local, para permitir a emissão de Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e). O trâmite envolve apresentação da documentação do CNPJ e pode variar segundo o município. Em cidades maiores, o processo costuma ser online e bastante ágil.
5. Organize seu contador
Mesmo autônomos devem ter acompanhamento contábil, especialmente se o faturamento crescer ou precisar migrar de MEI para ME. O contador ajuda a cumprir obrigações fiscais, evitar multas e definir o melhor regime tributário para o perfil da empresa.
6. Estruture sua rotina de documentos e contratos
Com o CNPJ em mãos, é hora de preparar contratos de prestação de serviços e definir modelos de propostas. Eu recomendo criar modelos padrão de contrato, sempre adaptáveis conforme cada cliente, para garantir clareza e segurança nas relações comerciais.
Aspectos fiscais para freelancers formalizados
Quando me formalizei, percebi que o controle fiscal deixou de ser um fantasma para virar rotina organizada. Os regimes variam segundo porte e atividade:
- MEI: paga valor fixo mensal (DAS), atualmente entre R$ 66 e R$ 81/mês (2024), contemplando INSS e ISS.
- Simples Nacional (ME): imposto variável conforme faturamento e atividade, normalmente entre 6% e 17% do total faturado.
- ISSQN: Imposto sobre Serviços, devido em todas as prestações. O valor pode variar conforme a cidade.
Além dos tributos, destaco que é obrigação do PJ emitir nota fiscal para toda prestação de serviço, isso passa confiança aos clientes e garante acesso a benefícios previdenciários. Plataformas como o Sou Pejota oferecem recursos para emissão de fatura, com cálculo automático e integração dos dados bancários do PJ.
A rotina fiscal pode ser leve, desde que você conte com apoio correto e plataformas adequadas.
Por que emitir nota fiscal é tão relevante?
Passei por situações constrangedoras ao não emitir nota em projetos com empresas. Além do risco de inadimplência, você pode perder grandes contratos que exigem CFOP, registro detalhado e respaldo jurídico.
Com a nota fiscal, sua empresa fica apta a disputar projetos maiores, além de fisgar a confiança dos seus clientes e garantir acesso a linhas de crédito, editais e benefícios governamentais. O processo é digital: basta acessar o sistema de sua prefeitura, preencher o valor e dados do contratante e pronto, a NFS-e pode ser enviada por e-mail, WhatsApp ou salva em PDF.
Plataformas profissionais para freelancers PJ: o que observar na escolha?
Especialmente nos últimos anos, percebo que cresceram as oportunidades em plataformas especializadas para contratação de autônomos já regularizados como empresa. É comum que grandes negócios exijam CNPJ mesmo para projetos de curta duração.
Aqui destaco critérios fundamentais que sempre verifico antes de me cadastrar em qualquer plataforma:
- Exigência de cadastro via CNPJ
- Painel de contratos para prestação recorrente ou por projeto
- Espaço para anexar documentos fiscais (NFS-e, recibos)
- Ferramentas para controle de horas e valores faturados
- Regra clara para pagamentos nacionais e internacionais
- Suporte a métodos de cobrança digital (PIX, boleto, transferência bancária)
O mercado cresce rápido, e, com ele, a busca dos clientes por profissionais organizados se intensifica. Em 2019 a 2022, por exemplo, empresas empregadoras no Brasil abriram 6,2 milhões de vagas a mais, além de uma receita líquida de R$ 3,4 trilhões, um crescimento considerável segundo dados oficiais. Isso demonstra o apetite do mercado por fornecedores formais, mesmo começando pequeno.
Como se cadastrar nessas plataformas?
Pela minha vivência, o processo costuma ser intuitivo:
- Acesse o site da plataforma escolhida e clique na opção “Cadastre-se como empresa” ou “Profissional PJ”;
- Forneça o número do CNPJ, razão social e CNAE;
- Complete dados de contato, área de atuação e portfólio;
- Anexe documentos comprobatórios se solicitados (comprovante de inscrição municipal, NFS-e prévia, etc.);
- Confirme e aguarde a validação para ser visualizado por empresas e clientes na plataforma.
Após o cadastro, mantenha perfil e portfólio atualizados. Plataformas confiáveis permitem integração automática de contratos, envio de faturas e monitoramento de pagamentos.

Ferramentas que simplificam a vida do PJ autônomo
Administrar clientes, faturas, contratos e horas trabalhadas era, para mim, o maior desafio no começo. Hoje já existem soluções integradas projetadas para profissionais da nova economia, como a própria Sou Pejota.
Controle de projetos e gestão de clientes
É natural perder prazos, compromissos ou insights se você não conta com sistemas centralizados. Ter um cadastro bem estruturado de clientes evita erros na hora de emitir notas, facilita a cobrança de pagamentos recorrentes e permite acesso a dados históricos (quais projetos já realizei, quanto faturei, qual cliente paga melhor, etc.).
- Cadastro de pessoas jurídicas e físicas, com CNPJ, endereço e dados de contato
- Histórico integrado de projetos por cliente
- Visualização rápida dos principais contratos e valores recebidos
Project tracking e ponto digital
Seja atuando por hora, seja por projeto, recomendo o uso de ferramentas que permitam registro de tempo. Isso protege tanto o profissional quanto o cliente. O ponto digital da Sou Pejota, por exemplo, permite registro de entrada e saída, controle de intervalos e justificativa de ajustes, o que me poupa conflitos em negociações futuras.
O segredo está no detalhe: controle preciso das horas e entregas evita desgastes e aumenta a confiança na relação com o cliente.
Emissão de faturas e cobrança inteligente
Conseguir que o cliente pague na data combinada depende, muitas vezes, de uma fatura bem feita e enviada no tempo certo.
Sou adepto de plataformas que integram geração automática de faturas em PDF, adicionando logo, dados bancários e cálculo automático das horas. Isso garante profissionalismo no contato, além de simplificar a rotina de cobranças semanais e mensais.
- Modelos de faturas personalizados
- Envio facilitado por e-mail ou link
- Identificação clara de dados bancários e vencimento
- Lembretes automáticos para clientes inadimplentes
Como receber pagamentos digitais com segurança?
Minha experiência ensinou que receber sem burocracia, mesmo em projetos internacionais, faz toda diferença na vida do PJ.
Pagamentos nacionais
- Transferência bancária: mais comum, mas exige emissão de nota fiscal para empresas.
- PIX: imediato, conveniente e barato. Empresas pedem comprovante de NFS-e vinculada pagadora.
- Boleto bancário: útil para cobranças recorrentes ou clientes que preferem controle manual.
Pagamentos internacionais
- Transferência SWIFT: recomendada para contratos altos, sempre junto à fatura em PDF e NFS-e traduzida se necessário.
- Gateways digitais internacionais (ex: plataformas financeiras brasileiras com integração internacional): conversão automática e retirada simplificada.
- Carteiras digitais: úteis para pequenos projetos, mas preste atenção às taxas e à necessidade de comprovação de serviço.

É importante guardar comprovantes, registrar os recebimentos e emitir recibos (mesmo que digitais), inclusive para pagamentos feitos via carteiras internacionais.
Desafios comuns do PJ no dia a dia, e como resolvi cada um
Caminhei por várias trilhas como trabalhador autônomo. Listo abaixo desafios recorrentes e minhas estratégias para lidar com cada um:
Precificação dos serviços
Fixar valor é tarefa complexa. No começo, é comum subvalorizar o trabalho por receio de não fechar contratos. Recomendo pesquisar valores praticados no mercado (benchmarking), considerar todas as horas envolvidas (inclusive extras não previstas) e os custos operacionais (impostos, licenças de software, etc.). A fórmula que uso costuma envolver:
- Custo de vida + custos operacionais
- Planejamento de férias e períodos ociosos
- Percentual de reserva para investimentos e emergências
Leio bastante sobre precificação moderna e sempre consulto referências como o que é publicado em artigos sobre produtividade e valorização do tempo.
Elaboração de contratos
Já perdi boas oportunidades pela ausência de um contrato simples e claro. Sempre sugiro, no mínimo, incluir:
- Descrição detalhada dos serviços
- Prazos de entrega
- Valores, métodos e calendário de pagamento
- Cronograma de reuniões e etapas de validação
- Penalidades para descumprimento
- Política de rescisão
A experiência me mostrou que essas cláusulas protegem ambos os lados, e, em disputas, o contrato é a primeira prova que o PJ poderá apresentar para garantir seus direitos.
Garantia do recebimento
O atraso em pagamentos é, infelizmente, recorrente para quem presta serviços. Aprendi que emitir notas fiscais em datas combinadas, enviar faturas bem detalhadas e ter um dashboard de cobrança fazem diferença. Recomendo também reservar uma conta PJ só para movimentações profissionais, facilitando o controle e reduzindo confusões fiscais.
Gestão de múltiplos clientes
Quando ultrapassei a rotina de 2 ou 3 clientes, precisei de uma plataforma unificada. A solução foi centralizar históricos, contratos e cobrança. Tenho usado, junto a outros colegas, plataformas como a Sou Pejota, que reúnem tudo em um só ambiente, simplificando até mesmo a análise de crescimento mensal. Você pode conferir experiências e cases em posts com experiências reais e também encontrar dicas práticas em roteiros de gestão.
Organização avançada: dashboards, ponto digital e faturamento inteligente
Em um cenário de crescente profissionalização dos autônomos, aprendi que a organização financeira faz toda a diferença. Algumas ferramentas são verdadeiros aliados:
Dashboard Analítico
Ter uma visão consolidada de receitas, horas trabalhadas, valores a receber e clientes ativos permite tomada de decisão baseada em dados. O dashboard da Sou Pejota apresenta gráficos, histórico, projeções e alertas, para que você saiba quanto pode investir, retirar ou segurar nos meses de menor demanda.
Ponto digital ajustável
Cumprir jornadas e respeitar intervalos é um requisito para muitos contratos, principalmente para empresas que exigem evidências das horas trabalhadas. O ponto digital da plataforma permite ajustar horários (sempre com justificativa), documentando as diferenças e evitando questionamentos de clientes posteriores.
Faturamento inteligente automatizado
Automatizar o faturamento reduz erros manuais, acelera o recebimento e transmite profissionalismo. Com a geração automática de faturas (em PDF, com logo, dados bancários e cálculo automático de impostos), você oferece ao cliente uma experiência fluida e reforça a confiança de que está lidando com um parceiro de negócios, não apenas um prestador comum.

Conclusão
No Brasil atual, transformar projetos pontuais em carreira sustentável depende, mais do que nunca, de formalização, organização e escolha das ferramentas certas. Os profissionais que decidem empreender como PJ desfrutam de maiores rendas, menos conflitos fiscais, acesso a clientes exigentes e uma rotina muito mais tranquila. Entendo que os desafios existem, mas se tornam pequenos diante dos benefícios conquistados.
Se você quer avançar nessa jornada, sugiro conhecer em detalhes a Sou Pejota e suas soluções integradas para freelancers PJ. Comece pelo plano gratuito se desejar, e descubra como centralizar todo seu controle administrativo em um só lugar, elevando sua carreira ao próximo nível.
Perguntas frequentes sobre freelancers PJ
O que é necessário para ser freelancer PJ?
Para atuar como freelancer PJ, é preciso abrir um CNPJ (como MEI ou ME), escolher a CNAE certa e fazer cadastro junto à prefeitura para obter a Inscrição Municipal. Também recomendo montar um contrato padrão de prestação de serviços, além de separar conta bancária para receber pagamentos e emitir notas fiscais sempre que prestar serviços a empresas ou pessoas físicas que exijam comprovante.
Como emitir nota fiscal como PJ?
A emissão de nota fiscal como PJ depende do cadastro na prefeitura local e acesso ao sistema de NFS-e. Após a formalização do CNPJ, o autônomo solicita a Inscrição Municipal e recebe acesso ao sistema online para geração das notas. Basta inserir os dados do contratante, valor, data e descrição do serviço; a nota pode ser enviada por e-mail ou impressa. Plataformas como a Sou Pejota integram recursos para emissão automática de faturas e controle dos impostos.
Quais impostos um freelancer PJ precisa pagar?
O PJ deve pagar ISSQN (Imposto sobre Serviços), além de tributos fixos se MEI (DAS) ou percentuais se ME ou EPP pela tabela do Simples Nacional. É necessário considerar também INSS (no caso do MEI já está integrado), além de eventuais taxas municipais. Manter a contabilidade em dia evita surpresas e garante acesso a benefícios previdenciários e financiamentos.
Vale a pena formalizar como PJ?
Sim, as vantagens da formalização são claras: acesso a clientes maiores, contratos formais, emissão de nota, possibilidade de crescer, melhorar a renda e investir com segurança jurídica. Pesquisas mostram ainda que autônomos com CNPJ ganham mais e têm mais acesso a oportunidades qualificadas. A formalização amplia horizontes e profissionaliza seu trabalho.
Como organizar a gestão financeira de freelancers?
Organize a vida financeira separando contas pessoais de contas da empresa, usando sistemas de registro de receitas, controle de horas, gastos e faturas a receber. Use dashboards, como o da Sou Pejota, para visualizar resultados, manter reserva de emergência e planejar investimentos. Emitir faturas e notas corretas, junto de contratos e relatórios, traz profissionalismo e atende aos padrões das empresas contratantes, facilitando o crescimento do autônomo.
